terça-feira, 24 de novembro de 2020

Michele Borges, multicampeã concilia os treinos e campeonatos com a maternidade, apesar das dificuldades

 


Na divisão do trabalho o papel de cuidar do lar e dos filhos coube à mulher. Em se tratando de esporte, chegaram a ser proibidas de assistir. Praticar? Nem pensar! No Brasil, bem próximo da atualidade, chegou a ser proibida a prática de esportes para mulheres. Veja:

 

“Art. 54. Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país” (DECRETO-LEI Nº 3.199, DE 14 DE ABRIL DE 1941).

 

Em 1965, o Conselho Nacional de Desportos decidiu que: “Não é permitida a prática de lutas de qualquer natureza, futebol, futebol de salão, futebol de praia, polo-aquático, pólo, rugby, hanterofilismo e baseball”. (Deliberação nº 7)

 

As próprias mulheres que, aos poucos, começaram a modificar esse quadro, se inserindo no meio esportivo, apesar do preconceito dos homens e até mesmo de outras mulheres. Preconceito que diminuiu consideravelmente, mas que ainda existe. Principalmente quando uma mulher se torna mãe e a maioria ainda acha que seu papel, agora, é somente tomar conta do lar e dos filhos, porque o papel de cuidadora do lar ainda recai sobre os ombros das mulheres, mesmo daquelas que trabalham fora para ajudar na renda da família. E essa é uma das principais razões que acabam afastando muitas mulheres do meio esportivo. A cobrança é muito grande e muitas acabam desistindo de seus sonhos.

 

Mas esse não é o caso da multicampeã Michele Borges que, apesar de ser mãe de três filhos, manteve seu treinamento e o foco de se tornar uma atleta reconhecida por seus títulos, além de acumular graduações em mais de um estilo de Arte Marcial, sendo: Grau Preto e Branco de Muaythai (mestre), Faixa Marrom de Kickboxing, Faixa Azul de Jiu-Jitsu e Faixa Branca de Luta Livre.

 


O interesse pelas artes marciais surgiu desde cedo quando, aos 4 anos de idade, sua mãe a levava para o Balé. No entanto, o seu desejo era praticar o Judô. A mãe não deixava. Dizia que era esporte de menino e que teria que continuar no Balé. E foi dessa forma até 2002, quando Michele começou sua jornada no Muaythai com o mestre Anderson França da AFteam, em Nova Friburgo, quando fez sua estreia em eventos de luta.

 

Em 2008, a atleta conheceu um professor que mudou sua vida! O professor era nada mais nada menos do que o grande campeão e treinador que já foi tema desta coluna, Michel Lopes! Michele, inicialmente, se apaixonou por seu estilo de luta e o fez seu treinador. Mais adiante, acabou se apaixonando pelo treinador e fez dele seu marido, pai de seus filhos, e brinca com o ocorrido: “Eu treinava Muaythai conciliando com duas faculdades, Direito e Educação Física. Com esse pouco tempo, tive que casar com o professor, se não, como é que treina? Rsrs”.

 

Atualmente, Michele mantém seus treinamentos com os professores de todas as artes que pratica: Com Michel Lopes, na Equipe Templários, da APKB (Associação Pioneira de Kickboxing) treina Muaythai, MMA, BeachBoxe e Kickboxing, com mestre Barta, da Família Barta, treina Jiu-Jitsu e com mestre Wallace treina Luta Livre. Os treinos acontecem no CT Blackshields, em Rio do Ouro.

 


Apesar de sua garra, um triste acontecimento, em 2011, fez com que Michele encerrasse sua carreira de lutadora, ao ser tomada por uma forte onda de sentimentos, depois de perder sua filha Alice, que “virou um anjinho”, diz a atleta. Somente com muita conversa e apoio de seu mestre e marido, retornou aos treinos e a Arte Marcial a fez perceber que ainda possuía muita força para voltar a competir. E o ano de 2016 foi de vitórias, nos conta: “Conquistei cinturões e medalhas tanto no Kickboxing quanto no Muaythai e tive o prazer de ser convocada para o evento profissional WRK (Warriors Rio Kombat) pelo mestre Capitulino Gomes. Tenho um cartel com 20 lutas, sendo 16 vitórias e 4 derrotas, com lutas entre Muaythai, Kickboxing e Beachboxing.”

 

Mãe de terceira viagem, com Ana Paula de 16 anos, João Rodrigo de 8 anos (que também já entrou para o mundo das artes marciais) e o Miguel Hunter de 7 meses, Michele concilia os treinos com as funções da maternidade, mas declara que não é fácil:  

 

“O cansaço que tinha antes é pouco em relação ao que tenho hoje! Tem dias que chego em casa já muito cansada mas ainda tenho que dar atenção para meus filhos. Maternidade é um desafio difícil e as responsabilidades aumentam muito. Para quem é pai, a vida pode continuar a mesma, mas para quem é mãe a vida muda bastante. Nossa mente, nosso corpo, tudo muda!  Eu amo tudo o que faço e, assim, consigo ficar de pé, apesar da batalha diária com as artes marciais. Meus filhos são meu afago! A maternidade me dá uma força maior. Só quem tem filhos sabe que força é essa!”

 

Michele fez do que muitas considerariam o impossível, sua força e motivação para continuar lutando, literalmente, por seus sonhos. E, no próximo ano, pretende estrear no MMA. A atleta está batalhando muito pra melhorar sua luta de chão e afiar ainda mais a trocação: “Tenho certeza que com a ajuda que tenho da equipe que faço parte (Equipe Templários), meus filhos, mestres e amigos alcançarei mais esse sonho tão esperado.”, finaliza.

 

Não restam dúvidas de que Michele Borges irá, mais uma vez, se superar e alcançar seus objetivos, além de se tornar uma inspiração para muitas mulheres que precisam de uma força para compreender que a maternidade não anula seus sonhos e que podem, desde que se dediquem, se esforcem, se tornar o que desejarem ser.



Matéria: Fabiana Almeida

Edição de Vídeo: Gustavo Porto 

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Começou a treinar e competir no Kickboxing depois dos 50 anos e se tornou incentivo para outras mulheres

 


Rosemary Ribeiro Costa, conhecida como Tia Rose nas academias em que treina, sempre gostou de acompanhar seu filho nos campeonatos da FKBERJ (Federação de Kickboxing do Estado do Rio de Janeiro), onde sempre se destacou conquistando títulos importantes. Assim surgiu seu interesse pelas artes marciais, porém, nunca havia praticado. Mas, por ordem médica, deveria começar uma atividade física e foi quando seu filho sugeriu os treinos de Kickboxing. Dessa forma, Rose começou sua própria história no mundo da luta.

 

O filho de Rosemary se tornou o seu professor! Conhecido campeão de Kickboxing, Márcio Meleca é o dono da Equipe Fênix que faz parte da AOCTT (Associação Oliveira & Castilho Top Team), onde Rose treina e, com o progresso da mãe, se tornou seu maior incentivador, como a própria atleta conta:  

 

“Teria que fazer algum tipo de exercício, por ordem médica. Aí, meu filho me chamou pra treinar, mas era só treino. Até que começou a me incentivar a competir. Disse que iria me inscrever e eu topei.”

 

Depois de seu primeiro campeonato, no ano de 2018, realizado no Clube Tamoio, em São Gonçalo (RJ), a atleta não parou mais de competir. Porém, tem se dividido entre lutar e arbitrar, pois também é árbitra ativa da FKBERJ, outra função em que vem se destacando, sendo uma das árbitras mais convocadas para atuar em Campeonatos Brasileiros e Copa do Brasil de Kickboxing, realizados fora do estado do Rio de Janeiro. Somente em 2019, viajou para São Paulo e Paraná, tendo sido convocada para compor o quadro de arbitragem da CBKB (Confederação Brasileira de Kickboxing).

 

Faixa verde de Kickboxing, hoje, Rose treina em dois locais: na Academia Ponto do Atleta, em Sacramento, e no Espaço Power Fitness, no Jardim Catarina, ambos em São Gonçalo (RJ). Devido ao fato de ser diarista, a possibilidade de ter dois locais com horários diferentes para treinar, facilita muito para que se mantenha em forma e em condições de participar tanto das competições como da arbitragem.

 


Dona de um carisma contagiante, Rose segue se destacando e sendo exemplo para outras mulheres. A pandemia, que causou o cancelamento dos campeonatos nesse ano de 2020, não interrompeu seus planos. Já está de volta aos treinos, com toda a segurança que o momento exige, claro, mas destaca que o exercício físico ajuda a aumentar a imunidade, o que é muito benéfico nesse período. Agradecida aos filhos, à associação e aos amigos que sempre a incentivam, quando indagada sobre a motivação que a faz seguir em frente, afirma com convicção:   

 

“Minha motivação pra competir é ver que eu posso mostrar pra outras mulheres da minha idade que se elas quiserem, elas podem!”

 

Como vem sendo mostrado, as artes marciais tem sido um importante instrumento para oferecer equilíbrio físico e mental para seus praticantes, independente da idade em que estejam ou que comecem a treinar. Inclusive, muitos médicos já têm indicado, especificamente, para seus pacientes. Numa época em que o sedentarismo e as disfunções alimentares têm sido causas de obesidade e transtornos emocionais, como depressão e ansiedade, a filosofia e as técnicas das artes marciais têm sido objeto de estudos que afirmam e destacam seus benefícios no aumento da autoestima, trazendo qualidade de vida e equilíbrio emocional.

 

Para as mulheres que se sentiram motivadas com a história da Rose e desejarem conhecer melhor o Kickboxing, a FKBERJ, entidade oficial da arte marcial no Rio de Janeiro, oferece em seu site uma lista de professores legalizados e os locais onde são os treinos, com endereços e horários. Basta clicar em www.fkberj.com.br e ir até o Banco de Conhecimentos, onde tem a opção: Onde treinar; escolha o município e os endereços estarão disponíveis.  



 

 Matéria: Fabiana Almeida 

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Professora Ranne Souza - O desafio que virou uma paixão!


Formada em Magistério, em Educação Física (Bacharelado/Licenciatura) e pós-graduação em treinamento de força - UFRJ (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) a atleta faixa preta de Kickboxing Ranne Souza ganhou um presente:

 

Vitão, um jovem de 23 anos, deficiente visual, que sonha em ser faixa preta de Kickboxing e com grandes planos para, a longo prazo, estrear no Musical Forms.

 

A vida de Ranne e Victor foi ligada pela equipe multidisciplinar de PCD (pessoas com deficiência) da Vila Olímpia de Honório Gurgel, onde dá aula.

 

Victor nasceu com uma doença que foi tirando sua visão. Com 7 anos de idade, após 13 cirurgias, já não enxergava mais. Porém, mesmo com esse fato, não se limita somente a aprender e se motiva mais e mais para sua melhoria.

 

Ranne já sente a importância que tem na vida do jovem e o peso de tamanha responsabilidade, deixando claro que o progresso de Victor nos fundamentos do Kickboxing a deixa extremamente grata por tê-lo como aluno.

 

 "Sobre a aprendizagem, tenho feito um trabalho de core onde notei pouca estabilidade de troco dele, o que faz ter desequilíbrio em, por exemplo, chutar. Estamos usando bastante educativos além de um treino de força." Professora Ranne Souza

 

Vitão é um exemplo de disciplina e superação!

São suas decisões e não suas condições que determinam o seu destino. Com motivação para buscar seus sonhos, não há barreiras capazes de lhe segurarem.




 

Matéria: Isa Araújo

Edição de Vídeo: Gustavo Porto

 

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segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Lucas Ferrão, jovem de projeto social é Campeão Estadual de Kickboxing por 4 anos consecutivos

 


Lucas Ferrão, conhecido somente como Ferrão, é o campeão que inspira outros competidores no Projeto Social Resplandecer, na Equipe Família Shekinah de Kickboxing. O jovem, que começou a treinar há cerca de sete anos, sempre foi apaixonado por lutas e artes marciais, desde criança, quando acompanhava UFC na TV e adorava jogos e filmes de ação, de onde tentava imitar os golpes dos lutadores com os primos, com quem brincava.

 

Apesar do interesse pelas artes marciais, Ferrão não teve a oportunidade de treinar na infância, até o dia em que um amigo o convidou para conhecer o projeto e, desde então, nunca mais saiu de lá. Fato que teve uma grande influência na formação de seu caráter, como o próprio diz, “acredito que isso foi decisivo para minha formação como pessoa, hoje em dia, pois o Kickboxing e, acima de tudo, a família me ensinaram diversos atributos que formaram meu caráter de hoje, e eu não mudaria nada”.

 


No final dos treinos de Kickboxing, em alguns casos, existe uma parte em que os alunos lutam entre si para aperfeiçoar a técnica e aprender a usar os golpes nas lutas. Essa parte do treino é chamada de “fazer luva”. Ferrão gostava muito de fazer luva nos treinos, o que chamou a atenção de seu professor, André Shekinah, que começou a incentivá-lo a competir, vendo nele um grande potencial, como conta: “Conforme fui progredindo, o mestre André começou a falar mais sobre competir, mostrava vídeos e me levou pra assistir algumas competições e, logo de cara, me encantei e botei na cabeça que precisava competir. Então, treinei muito e comecei a competir em 2016”.

 

O jovem lutador, de lá pra cá, começou a acumular títulos importantes, tendo se tornado Campeão Estadual de Kickboxing por quatro anos consecutivos, de 2016 a 2019, além de outros, como: quatro vezes Campeão da Taça Guanabara de Kickboxing (2016 - 2019), quatro vezes Campeão Intermunicipal de Kickboxing, duas vezes Campeão José Antônio Ferreira de Kickboxing, Campeão da Copa do Brasil de Kickboxing e ficando em terceiro lugar no Campeonato Brasileiro de Kickboxing.

 

Em seu primeiro Campeonato Brasileiro de Kickboxing, Ferrão pegou uma chave com dezesseis lutadores, ganhou duas lutas e acabou perdendo na semifinal, o que lhe garantiu o terceiro lugar e ser o terceiro melhor lutador de Kickboxing do Brasil é algo surpreendente, mas o lutador começou a se cobrar ainda mais, “descobri que precisava treinar muito para ser o campeão, fiquei em terceiro lugar, mas foi uma das melhores competições pra mim, como pessoa e lutador, me fez ter ainda mais vontade de treinar e melhorar”, conta.

 

Um grande talento que não encontrou, ainda, um patrocinador! Essa é a triste realidade da maioria dos atletas brasileiros. Alguns Estados e Municípios tem o Bolsa Atleta, mas em São Gonçalo, apesar de já ter sido aprovado, nunca foi colocado em prática. E os atletas seguem representando a cidade com recursos próprios. O que poderia ter um resultado muito melhor para a representatividade da cidade, pois Ferrão foi classificado para lutar o Campeonato Sul-americano, mas não conseguiu realizar seu sonho, por falta de recursos.

 

Competir, para Ferrão, que é faixa azul de Kickboxing, faz toda a diferença na vida de um atleta, que tem a oportunidade de lutar com pessoas diferentes, tentar evoluir, absorver o máximo de conhecimento a cada disputa, sempre se superando, “Não conseguiria ser o lutador que sou hoje se não tivesse competindo. Gostaria de agradecer ao mestre André, que me mostrou o mundo do Kickboxing e sempre acreditou em mim, a minha família que sempre me deu suporte para competir e, também, minha namorada, Mayara Silva, que sempre me acompanha nas competições e me apoia nos momentos mais difíceis!”, declara o campeão.

 

O Projeto Social Resplandecer fica no Porto Velho, em São Gonçalo, e oferece, além das aulas de Kickboxing com a Família Shekinah, que faz parte da AOCTT (Associação Oliveira & Castilho Top Team), aulas de Jiu-Jitsu, Taekwondo, Balé, Artesanato e acompanhamento psicológico, entre outras ações.

 

Encerro com um pensamento que o jovem lutador, Lucas Ferrão, leva pra própria vida, passa para os amigos de equipe e compartilha conosco:

 

“Muitos se acham fracos ou incapazes quando são derrotas, mas o verdadeiro lutador sabe que se aprende bem mais com a derrota do que com a vitória, então nunca desista, se esforce e tente sempre ser melhor do que ontem.”



Matéria: Fabiana Almeida 

Edição de Vídeo: Gustavo Porto 


Campeões de Forms do Projeto Lutar é Viver fazem apresentação no SESC VERÃO SÃO GONÇALO 2024

Campeões de Forms – Musical Forms e Creative Forms do Projeto Lutar é Viver fazem apresentações espetaculares no SESC VERÃO SÃO GONÇALO 2024...